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Max Miranda
Diálogo sobre as nobrezas Sala. Carpete gasto, o antigo aquário-com-casal-de-peixes numa mesinha de canto; com agendas e fotos misturadas com o forro azulado. Espalhado ali o valor de certas solidões pensativas, depois reformadas e levemente compreendidas tão longe daquele lugar. Entram na sala, para um saquê, três magos longínquos. Duas mulheres e um homem. Três seres de completos e fartos verbos. Eles abrigam o espaço rapidamente. Abrem as janelas e um cheiro de flor-do-mato entra na sala. Sentados, respirando, em silêncio. Uma mulher - Uma resumida calma toma o lugar. Outra mulher - Os outros dois se olham. Riem de canto. Voltam ao olhar pra si mesmos e empinam o nariz para sentir o cheiro vindo da janela. O homem Uma mulher Outra mulher O homem - Bate à porta. Silêncio, apenas o barulho dos pássaros lá fora. Uma mulher Outra mulher Uma mulher O homem Uma mulher - É deixada a bandeja. A porta bate. O homem Uma mulher Outra mulher Uma mulher Outra mulher - Mais silêncio, como se ele fosse o sal. As cortinas tremem com o vento leve de fora. Silêncio astuto, como se tivessem conversando na atmosfera da sala. Paralelo salgado de nada de palavras. O homem Uma mulher O homem - As duas mulheres tomam a sorte derramada e têm seus rostos refletidos no espelho da bandeja de prata. Silêncio. Uma mulher - Uma mulher deixa um resto de olhar para outra mulher, enquanto termina sua última palavra na sala. Uma mulher Outra mulher Uma mulher - Ela se levanta, olha os dois enquanto abandona a sala, deixando a porta aberta. O homem e a outra mulher confidenciam olhares e caminham até a janela, se percebem. Outra mulher Max Miranda # 28/06/2005 eNT... |
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eNT . Revista Eletrônica Nádia Timm . 2006 |