Para chegar à cidade de Trujillo, no Peru, por terra, toma-se um ônibus em Lima e, para o norte, a escarpada costa do Pacífico e um imenso deserto de montes e areia.
De um lado, o imenso azul do oceano, de outro, a paisagem lunar, interrompida apenas por vales verdes plantados de milho, batata, feijões, favas, aspargos e frutas. Algumas cidades recordam a luta humana espremida entre o mar e as areias infinitas. Ruas estreitas, construções sóbrias de cor ocre. Espalhando-se em torno, casinhas retangulares, sem telhados, em permanente estado de construção.
Nas ruas e feiras um burburinho de gente, autos, música e buzinas. Nesta atmosfera, cheguei com a delegação brasileira, formada por Célia Siqueira, Mary Iazigi, Elciene Spencieri e Elizabeth Caldeira, todos nós goianos.
Trujillo nos acolheu por seus poetas, Wellington Castilho, Angel Lavalle Dios, Juan Felix Cortês, Maria Júlia Luna de Ciudad e as compositoras e cantoras Maruja Tafur Nuñez e Dora Ñique Alarcón. Recordo que fomos convidados para participar do I Encontro Internacional de Arte e Cultura “Pela Integração Latino-Americana”, de 21 a 26 de janeiro. Recebidos com abraços dos participantes do Peru, Chile, Equador e Uruguai, sentimo-nos logo em casa.
Os risos, os abraços, transformavam em festa o encontro de alguns e o reencontro de outros. Assim somos os americanos do sul. Assim são os irmãos peruanos.
Na abertura dos trabalhos, o espírito aberto, a acolhida.
Presentes, o alcaide de Trujillo, César Acuña Peralta, o representante do presidente do Governo Regional de La Libertad, que reúne 12 províncias peruanas, José Murguias Zannier, e o reitor da Universidade Nacional de Trujillo, Carlos Sabana Gamarra, e representantes de outras instituições, inclusive os presidentes da Casa de Ciência e Cultura César Vallejo, Frente de Escritores de La Libertad, Casa “Juan Felix Cortês Espinosa”, que foram os organizadores do encontro, apoiados por diversas outras instituições, como universidades e governos departamentais.
Entoados o hino do Peru, o Coral da Universidade Antenor Orrego entoou várias canções, entre elas, em homenagem especial ao Brasil, a imortal Aquarela.
Em seguida, fomos declarados hóspedes ilustres por decreto do governador da região de La Libertad. As cantautoras Maruja Tafur e Dora Ñique cantaram um hino dedicado à integração latino-americana. Foram momentos de emoção para todos nós.
Tão distantes de casa, mal chegados, e já tão íntimos. Estávamos desfrutando da generosa acolhida do cálido coração peruano. Após a solenidade, fomos iniciados na magnífica culinária peruana. Um rico jantar regado a pisco “acholado”, que fiz questão de experimentar, pisco souer e o tradicional Inca Kola. Na próxima semana continuo esta narrativa. Vou tentar contar alguma coisa de Trujillo, a terceira cidade do Peru. A senhorial Princesa do Pacífico, por sua cultura, suas tradições e o papel que tem na costa norte do Peru.
Peru, 2 de fevereiro de 2007
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