Encontro Cultural em Trujillo, Peru -III

por Aidenor Aires

 

 

Fundada em 1534 por Diego de Almagro, Trujillo é a terceira cidade mais importante do Peru, depois de Lima e Arequipa. É conhecida como a terra do sol e da primavera eterna.

Com mais de setecentos mil habitantes, é uma cidade agitada, onde o moderno se entrelaça com a herança colonial e se aprofunda na memória ancestral das culturas pré-incaicas. Ali, no vale do Moche, floresceram as culturas Chimu, Moche, Mochica, como testemunham os gigantescos monumentos erigidos em adobes.

Cidades, palácios, fortalezas e templos. Chan Chan, a maior cidade de barro do mundo, ocupa uma área de vinte quilômetros quadrados. Uma metrópole com palácios, templos, muralhas imensas e bairros residenciais, hoje imersa em areia, depois das sucessivas ocupações e do saque dos colonizadores espanhóis.

As huacas, enormes construções cerimoniais ou de poder, como as do sol e da lua nos arredores da zona urbana de Trujillo. A arquitetura de Trujillo recorda o amor de seus moradores. Mansões conservadas, com suas grelhas e balcões coloniais, bem cuidados, marcam uma feição peculiar da cidade. Neste ambiente realizou-se o I Encontro Internacional de cultura “Pela Integração Latino Americana”.

As conferências e exposições enfocaram as tradições, a literatura.

A visita aos sítios arqueológicos das culturas ancestrais, a artistas e estudiosos como o grande mestre da pintura peruana Eládio Ruiz e o médico e arqueólogo, especialista em cerâmica pré-colombiana, Hernan Miranda Cueto.

As delegações foram recebidas por eles em suas residências. Eládio Ruiz falou de sua experiência e explicou vários de suas criações pictóricas. Dr. Hernan apresentou sua rica coleção cerâmica, ministrando verdadeira aula sobre as técnicas, características de cada uma das culturas daqueles ceramistas avoengos.

Visita às huacas do sol e da lua, guiadas pelo arqueólogo Moisés, um dos responsáveis pelo projeto de escavação e estudo daquele importante sítio arqueológico.

Parte do encontro se deu nas municipalidades de Victor Largo, balneário que já se chamou Buenos Aires, onde o alcaide Carlos Vasques, com a presidenta do Conselho da Municipalidade, Maruja Reina de Alcazar, nos acolheu com grande carinho, concedendo aos participantes do encontro títulos de hóspedes ilustres, com direito a diploma e medalha.

Depois, frente à praia ofereceu um belo almoço, com iguarias marinhas, destacando-se o deliciosamente simples ceviche, orgulho da culinária peruana. Depois, a municipalidade de Huanchaco, nos brindou a mesma acolhida.

O alcaide Fernando Bazan nos emocionou com as belezas da dança e da música peruana, muita “marinera” e um cardápio dos melhores frutos do prodigioso Pacífico. Ao fundo, o grande oceano e cavalgando as ondas os cavalinhos de totora, barquinhos de junco usados pelos pescadores. Isso não se pode esquecer, como ainda demora em nossos ouvidos a música de Maruja Tafur e Dora Ñique, “Amanecer em ti, Huanchaco”.

 



 

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eNT . Revista Eletrônica Nádia Timm . 2006