O Loire - poema fluvial da França
Resenha : Spíndola, Alice. O Loire - poema fluvial da França. Goiânia: Kelps, 2005; I semestre de 2006. ( Medalha Henri Bernier, da UBERJ.)
“ O homem entra/ na clausura das palavras/ e singra no mar das indagações”. Spíndola, A. in “ Sim, meu avô”p. 193.
Verdadeira saga poética, este O Loire- poema fluvial da França- é o livro com que Alice Spíndola, poeta e ficcionista, homenageia a França, no transcurso do ano 2005, ano em que este país distingue, de maneira especial, o Brasil, no cenário cultural do mundo.
E, para isto, tece seu canto poético com os matizes históricos, afetivos, culturais que escorrem, coloridos, pelas águas do rio Loire, rio símbolo de uma civilização iluminada, rio dos príncipes e dos poetas.
Com seu cantar lírico-épico, fundamentado em sólida bibliografia, Alice homenageia, também, o grande poeta Jean- Paul Mestas, considerado em Portugal “ Embaixador da Poesia” e cuja obra poética dá o tom deste livro, exaltando, ainda, o vulto de Henri Bernier, poeta, jornalista, ensaísta, pintor e cantor, cujo nome patrocina o prêmio literário que lhe foi concedido pela UBERJ.
Segundo a poeta declara no “ Prólogo”: “ Jean- Paul Mestas é poeta defensor intransigente da liberdade do ser humano, através da busca de um humanismo moderno capaz de conciliar a lucidez da inteligência, com a vitalidade da ação. Um Ulisses à procura da liberdade absoluta”.
Este livro de poemas, dividido em três módulos, a saber:- “Prelúdio: O Loire- poema fluvial da França”, “ Interlúdio: sob o périplo do desafio”, e, por fim, “Poslúdio: Dos envelopes, entre o Brasil e a França”- parece-me, no seu conjunto de poemas vários- um tanto heterogêneos em sua representação poética- parece-me, na verdade, uma complexa e única saga em que despontam vultos seminais da cultura tanto do Brasil como da França, notadamente, onde o livro, em primeira e seleta apresentação, foi considerado “ uma jóia”.
Então, pelas águas do Loire, numa bela transfiguração da lenda do menino e seu avô, ziguezagueiam, em perfil universal, vultos viscerais da literatura, como o contemporâneo e já mencionado Jean-Paul Mestas, responsável, também, por muitas das epígrafes deste belo livro.
Por fim, parabenizando a autora, enaltecemos esta obra- esmerada edição da Kelps- como fruto de instigante simbiose contemporânea da criatividade, da sensibilidade e da cultura universal.
Moema de Castro e Silva Olival
Ensaísta e crítica literária
12/03/07
P.S.:À oportunidade, não podemos deixar de, cumprimentando a autora, manifestarmos o desejo de, numa próxima edição, ver, num abraço fraterno, ratificando a união dos dois países, França e Brasil, as águas do tradicional Loire entrarem em confluência com as do nosso futuroso Araguaia- a alma de Goiás e coração do Brasil- de modo que, em ondas promissoras, carreguem, uníssonos, também o canto de nossos bons poetas goianos que têm, nas águas do Araguaia, espaço poético privilegiado, em que temperam, com os matizes do canto guerreiro, histórico, ecológico, social, existencial, a saga do futuro, formando, na interação das faces da medalha cultural, a simbiose prescrita por Tolstoi: na cultura universal, o canto de sua aldeia.
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