Alfabetização de surdos

Alunos surdos sendo incluídos nas mesmas escolas que estudantes com Síndrome de Down, uma situação completamente diferente ou ainda, pais solicitando às escolas que os professores ensinem seus filhos surdos a falarem, ainda que não compreendam o significado do que estão falando.

Para ajudar os surdos, o professor do Instituto de Psicologia (IP) da Universidade de Brasília (UnB) Domingos Sávio Coelho, desenvolveu o software bilingüe que vai facilitar a alfabetização.

Para ter uma idéia da importância desse trabalho, cerca de 80% da população de surdos abandonam o ensino fundamental por falta de apoio durante a aprendizagem e apenas 3% completam ao ensino médio.

A UnB possui apenas três surdos entre os seus 21 mil alunos.

Dados da Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis), apontam para 3,5% da população do DF com algum grau de déficit auditivo e no Brasil são 2,5 milhões de pessoas surdas.



Coelho preparou o software que vai beneficiar alunos e professores
O software livre já está disponível na Internet para ser utilizado pelo professor como ferramenta de apoio para o ensino de surdos. O endereço é www.surdobilingue.org.

“A criança que utilizá-lo vai aprender primeiro a língua de sinais – linguagem natural do surdo – e depois a palavra em português, a segunda língua que ele deve aprender, e por último, vem o desenho da figura auxiliando a identificar a palavra”, explica Coelho.

O programa também dispõe de uma série de exercícios para ver se o aluno compreendeu o que foi ensinado e permite que o professor saiba o número de acertos e erros cometidos por cada criança, além do tempo que ele levou para compreender a palavra.

A ferramenta também poderá ser utilizada pelo professor no preparo das aulas que serão incluídas na Internet.

“A vantagem desse procedimento é que mais tarde outros professores também poderão compartilhar conteúdo e até trocar informações sobre o aproveitamento das aulas”, garante o pesquisador, que desenvolve esse trabalho há dois anos.

Depois de finalizado, o software também será testado com alunos surdos de escolas públicas do DF.

O projeto tem o apoio do Decanato de Extensão (DEX) da UnB, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Distrito Federal (FAP-DF) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e custou R$ 10.990.

DIFICULDADES – Em escolas comuns, os estudantes estão acostumados a aprender a alfabetização através dos fonemas, das figuras e da palavra.

O aluno surdo, nesse sistema fica prejudicado, pois não consegue compreender a relação entre sons, seqüências de palavras e contexto.

Por isso, os dois primeiros anos do ensino fundamental devem ser feitos em escolas especiais.

A partir daí, o aluno passa a freqüentar a mesma escola que os ouvintes e se depara com algumas dificuldades: o professor que fala de costas para ele e de frente para o quadro.

COMO SURGIU – A língua de sinais surgiu na França, no século XVIII quando os padres queriam catequizar os surdos.

A Libras (Lingua de sinais Brasileira) é a primeira língua dos surdos brasileiros, mas pode ser aprendida por qualquer pessoa.

Como língua, esta é composta de todos os componentes pertinentes às línguas orais, como gramática, sintaxe e outros elementos.

A aquisição precoce da língua de sinais dentro do lar contribui para o aprendizado da língua oral, como segunda língua para os surdos.

LEGISLAÇÃO – A lei 10436/02 inclui a libras como componente curricular obrigatório principalmente para cursos de formação de professores e fonoaudiologia e a lei 10845/04, mais recente, institui o programa de complementação ao atendimento educacional especializado às pessoas portadoras de deficiência.

Ela garante a universalização do atendimento especializado ao portador de necessidades especiais, que não pode ser incluído em classes regulares e garante a inclusão do portador de necessidades especiais em classes comuns do ensino regular.

CONTATO


Professor Domingos Sávio pelo telefone (61) 3307 2625 ramal 504 ou pelo e-mail dscoelho@unb.br

PERFIL

Domingos Sávio Coelho é graduado, mestre e doutor em Psicologia pela Universidade de Brasília (UnB).

Suas linhas de pesquisa são memorização, complexidade de tarefas e sistema personalizado de instrução.

É professor do Departamento de Processos Psicológicos Básicos do Instituto de Psicologia da UnB.



 

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eNT . Revista Eletrônica Nádia Timm . 2006